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32. CLUBE DE COMBATE


Depois de várias conversas com o meu irmão, ao longo dos almoços de domingo, resolvi comprar o livro "Fight Club" de Chuck Palahniuk. O filme, esse, já o vi trezentas vezes e encontro sempre algo de novo, algo que me faz pensar, repensar... mas o livro tirou-me do sério. A única coisa da qual tenho pena é de não ter lido primeiro o livro. Acredito que se tivesse lido primeiro tinha levado uma bofetada a sério que me deixaria caído no chão em menos de nada. Recomenda-se vivamente a ser esmurrado sem parar até não se conseguir abrir mais os olhos, para que depois, quando os olhos voltarem a abrir se veja com maior clareza.

CLUBE DE COMBATE
CHUCK PALAHNIUK
Casa das letras

"Depois de teres estado num clube de combate, ver futebol na televisão é a mesma coisa do que te pores a ver pornografia quando podias estar a gozar uma sessão de sexo bestial."

"Naquela altura, a minha vida parecia-me demasiado completa e, se calhar, temos de quebrar tudo para sermos capazes de fazer algo de melhor de nós próprios"

"- Só depois de teres perdido tudo - diz o Tyler -, é que serás livre para fazeres tudo o que quiseres"

"Subimos para o quarto dela e a Marla explica-me que na natureza selvagem não vemos animais velhos porque mal envelhecem, os animais morrem. Se adoecem ou se deixam ficar para trás, há sempre qualquer coisa mais forte que os mata. Os animais não estão destinados a ser velhos.

A Marla deita-se na cama, desata o cinto do roupão e diz que a nossa cultura fez da morte uma coisa errada. Os animais velhos deviam ser uma excepção não natural."

"A Marla começou a ir aos grupos de auto-ajuda visto que era mais fácil estar ao pé de outros farrapos humanos. Toda a gente tem qualquer coisa errada. E, durante algum tempo, o coração dela acalmou."

"Uma noite, no clube de combate, escolhi um estreante. Naquele sábado à noite, um jovem com cara de anjo veio ao seu primeiro clube de combate e eu escolhi-o para uma luta. A regra é essa. Se é a tua primeira noite no clube de combate, tens de lutar. Eu sabia isso muito bem, por isso escolhi-o porque a insónia tinha voltado outra vez e eu estava na disposição de destruir qualquer coisa que fosse bela."

"Quanto mais alto caíres, mais alto subirás. Quanto mais longe fugires, mais Deus te quererá de volta.

- Se o filho pródigo nunca tivesse saído de casa - diz o mecânico -, a vitela gorda ainda estaria viva."

"...um instante é o máximo que alguma vez poderás esperar da perfeição."

26. AMOR INVENTADO

"Pró dia nascer feliz, essa é a vida que eu quis. O mundo inteiro acordar e a gente dormir"

Pró dia nascer feliz, Cazuza

Voltei às leituras da biografia de Cazuza escrita pela sua mãe. Acho que nunca tinha chorado tanto a ler um livro como me acontece com este. Mas a descrição de uma mãe que vê um filho, no auge do seu sucesso, morrer de sida numa época em que pouco ou nada se sabia sobre o assunto...


E assim perdi-me em memórias de terras brasileiras e num especial pensamento sobre Aliana Aires e Vivian Melo que me ajudaram a entender melhor a poesia de Cazuza. As manhas de um coração partido e os segredos de liquidificador. Esta é para elas e a toda a saudade que tenho. Codinome Beija-flor (uma das suas preferidas):

"P'ra que mentir, fingir que perdoou. Tentar ficar amigos sem rancor. A emoção acabou! Que coincidencia é o amor... A nossa musica nunca mais tocou. Pra que usar de tanta educacao p'ra destilar terceiras intenções. Desperdiçando o meu mel devagarinho flor em flor, entre os meus inimigos, Beija-Flor.

Eu protegi teu nome por amor em um codinome Beija-Flor. Não responda nunca, meu amor, p'ra qualquer um na rua... Beija-Flor. Que só eu que podia dentro da tua orelha fria dizer segredos de liquidificador.

Você sonhava acordada um jeito de nao sentir dor. Prendia o choro e aguava o bom do amor... Prendia o choro e aguava o bom do amor"

Barão Vermelho foi a banda com a qual Cazuza se apresentou e a qual deixou após três álbuns para seguir a carreira a solo. Neste vídeo, Barão Vermelho faz uma homenagem a Cazuza inserindo a sua voz na canção e passando imagens de Cazuza atrás. Cazuza pode não estar mais entre nós fisicamente mas deixou o seu legado e uma beleza única nas palavras.



"Amor da minha vida, daqui até a eternidade, nossos destinos foram traçados na maternidade. Paixão cruel desenfreada te trago mil rosas roubadas p'ra desculpar minhas mentiras, minhas mancadas. Exagerado, jogado a seus pés, eu sou mesmo exagerado... Adoro um amor inventado."
Exagerado, Cazuza

6. SEM TROMPETAS

Resolvi vestir-me de branco da cabeça aos pés, algo que não é comum pois tenho um certo desacato com o facto de me ver todo de branco, e saí à rua. Tudo à minha volta pareceu-me diferente e é engraçado perceber a forma como a roupa se mistura connosco e invariavelmente com o mundo. Por um dia eu não me senti eu em todas as formas que o eu pode adquirir. Senti-me na ausência de algo, na ausência de toda a cor que me completa.

"No trumpets sound when the important decisions of our life are made. Destiny is made known silently."
Agnes de Mille

Isto não está nada fácil. Eu sou um homem de etapas, gosto de pensar no meu trabalho como uma sucessão de tarefas e quando estava prestes a terminar uma das tarefas para a minha colecção final fiquei doente. Estou com uma gripe de cão e muitas coisas estranhas têm acontecido. Desde uma campainha que toca frenética e quando chego à porta ela pára de tocar e não está lá ninguém. A um telemóvel a receber mensagem estranhas e no meio de tudo um coração mal resolvido e a entrar em stress. Devo estar a alucinar com a febre. Mas o bom de ter ficado doente é que me deleitei a ver a quarta temporada do project runway e digo-vos que é a melhor de todas.






RAMI


JILLIANE LEWIS


CHRISTIAN SIRIANO

"E quando as horas voltaram a ser o que eram, ela telefonou e disse: "Não nos devemos voltar a beijar. Não, não é não podemos. Não, também não é não quero. Eu não disse que não fizemos bem. Digo que não devemos, que nos faz mal." E eu disse que sim, que já era bastante ruim ter qualquer expectativa, qualquer uma. Que o que acontece está muito longe de tudo o que acontece. Pediu que repetisse e eu repeti já sem entender o que dizia, sabendo só que o tinha de dizer assim, que não sabia de outra maneira, já não sabendo quem ela era, nunca soubera. Estava confuso, que era como ela dizia gostar mais de mim, quando me abraçava mordendo-me os lábios."
in Saudades de Nova Iorque, Pedro Paixão